Pré-eclâmpsia na gravidez: um acompanhamento criterioso

Pré-eclâmpsia na gravidez

A pré-eclâmpsia na gravidez é um distúrbio que provoca a disfunção dos vasos sanguíneos da placenta e que afeta cerca de 5% das mulheres no Brasil. Ainda que a causa da condição não esteja bem esclarecida, ela é grave e requer bastante atenção.

Isso porque a doença pode prejudicar vários sistemas do corpo da mulher, como o hepático e o renal. Com o fluxo de sangue para a placenta diminuído, o bebê também acaba correndo riscos.

O diagnóstico da pré-eclâmpsia nem sempre é fácil, por isso é muito importante ficar atento aos seus sinais. Vamos explicar melhor o assunto neste artigo, leia até o final.

O que é a pré-eclâmpsia na gravidez?

A pré-eclâmpsia também é conhecida como doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG). Ainda não sabemos exatamente o que causa a condição, mas parece ser um consenso que ela começa na placenta.

Como a placenta é um órgão gerado junto com o bebê, exclusivamente para nutrir o feto, a mulher precisa desenvolver novos vasos sanguíneos para enviar sangue para a região. Em alguns casos, esses vasos ficam mais estreitos, diminuindo sua capacidade de circulação sanguínea.

Por conta disso, a pressão arterial acaba se elevando, chegando a atingir picos de 140 x 90 mmHg. Outras consequências são o inchaço no corpo, devido à retenção de líquidos, e a presença de proteínas na urina.

Normalmente os sintomas começam a aparecer a partir da 20ª semana de gestação, mas também podem surgir durante ou após o parto (geralmente nas primeiras 48 horas).

Se não for tratada a tempo, a doença pode progredir para a eclâmpsia, um quadro mais grave onde podem surgir episódios de convulsões e até mesmo coma.

Quais são os sintomas da pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia na gravidez pode ser uma doença silenciosa. Isso porque muitas vezes a paciente não tem muitos sintomas e não percebe o aumento da pressão arterial até que ela esteja perigosamente alta.

A doença também pode progredir de forma lenta ou rápida, e quanto mais cedo ela surge, maiores as chances de agravamento.

Portanto, é muito importante manter uma rotina de consultas obstétricas para avaliar a saúde da gestante e do bebê. Além disso, é imprescindível prestar bastante atenção no seu corpo e ficar de olho em qualquer mudança fora do normal.

Os principais sintomas da pré-eclâmpsia são:

  • Pressão arterial igual ou acima de 140 x 90 mmHg
  • Inchaço excessivo no rosto, mãos, pés e tornozelos
  • Ganho repentino de peso (de 2 a 5kg em uma semana)

Nesse caso, o indicado é que a gestante procure seu médico e relate seus sintomas o quanto antes. Como é bastante comum ficar inchada na gravidez, é preciso avaliar outros sinais, como o aumento da pressão arterial e a presença de proteínas na urina.

Já se houver um dos sintomas abaixo, é preciso buscar assistência médica de emergência:

  • Pressão arterial igual ou acima de 160 x 110 mmHg
  • Dor de cabeça muito forte e persistente
  • Alterações na visão (ver luzes, pontinhos, ficar sensível à luz ou com a vista embaçada ou escurecida)
  • Náusea e enjoos
  • Dor forte no alto da barriga
  • Dificuldade para respirar
  • Convulsões

Esses podem ser sinais de eclâmpsia, o que requer um atendimento imediato para evitar complicações como coma e indução prematura do parto.

Existem mulheres mais propensas a ter pré-eclâmpsia na gravidez?

Sim, existem alguns fatores que podem aumentar as chances da futura mamãe desenvolver pré-eclâmpsia na gravidez. São eles:

  • Obesidade
  • Doenças crônicas como hipertensão, lúpus, problemas renais ou diabetes
  • Histórico familiar
  • Histórico de pré-eclâmpsia (uma em cada 5 gestantes é reincidente)
  • Gestação gemelar
  • Primeira gestação (ou gravidez com mais de 10 anos de intervalo entre a anterior)
  • Ter menos de 20 ou mais de 40 anos

Como tratar a pré-eclâmpsia?

Quando identificamos a pré-eclâmpsia na gravidez, é preciso monitorar a gestante e o bebê de maneira rigorosa.

O tratamento varia conforme a gravidade da doença e o tempo de gestação, mas a única forma de controlar a condição e impedir que ela evolua é com esse acompanhamento criterioso.

Em casos leves, a recomendação é que a gestante siga uma dieta pobre em sal e aumente a ingestão de água, além de aferir com frequência a pressão arterial.

O médico também pode recomendar repouso, de preferência para que a mulher fique deitada para o lado esquerdo, ajudando a aumentar a circulação sanguínea para os rins e útero.

Já nos casos mais graves, pode ser necessária a internação no hospital para que a saúde da mamãe e do bebê esteja sendo monitorada de perto, além de um tratamento com medicamentos anti-hipertensivos e anticonvulsivantes.

Também pode ser preciso induzir o parto, dependendo da idade gestacional. Com o nascimento e a retirada da placenta, o problema regride espontaneamente.

É importante lembrar que problemas hipertensivos são insidiosos. Ou seja, eles podem só mostrar sinais quando já estão evoluídos. Por isso, não se descuide caso tenha sintomas leves que desapareçam. Siga rigorosamente as recomendações do seu médico e continue monitorando sua condição.

O que posso fazer para prevenir a pré-eclâmpsia na gravidez?

Gestantes que têm fatores de risco para o aparecimento de pré-eclâmpsia na gravidez podem tomar algumas medidas para evitar a doença.

Existem alguns estudos que apontam que o uso de doses baixas de aspirina, desde o início da gestação, pode reduzir a ocorrência do problema.

Outra pesquisa mostrou a importância de uma boa alimentação. Segundo a Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, adotar uma dieta mediterrânea, rica em alimentos naturais, pode reduzir em pelo menos 20% o risco de pré-eclâmpsia.

Alguns exames de imagem e sangue, feitos entre a 11ª e a 14ª semana, também podem indicar se a paciente tem mais chances de desenvolver a condição.

Mas a melhor forma de cuidar da saúde da mamãe e do bebê é fazer um acompanhamento pré-natal bem-feito. Ter profissionais qualificados para conduzir a gestação de forma individualizada e humanizada é muito importante para fazer deste um momento especial e tranquilo!

Se tiver alguma dúvida sobre o assunto, estamos aqui para cuidar de você!

Pré-eclâmpsia na gravidez: um acompanhamento criterioso

Dr. Giórgio Conte Tondello

Ginecologista e Obstetra - CRM 25100 | RQE 21592

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